07 agosto 2020

haverá amor mais a frente?

é tão difícil acreditar.

daqui de baixo. deste ponto fundo que não me ergo. 

não acho nem lembranças para me confortar. menos ainda esperanças.

haverá o conforto do abraço que dá sentido a tudo?

a voz que se ouve antes de dormir e ao acordar. doce, forte.

o sorriso. haverá o sorriso? aquele que se dá só de olhar e ver.

ver a razão dos dias.

será?

02 março 2018

"o invisível nos salta aos olhos"

entendo que algumas pessoas tenham esta necessidade de aprovação, que, por si, se torna um fim, embora sua função original devesse ter o início de algo.
e que neste paradoxo se vão as grandes chances da vida: o emprego mais desejado vira um pedido voluntário de demissão assim que se consolida; a mulher a quem se pede em casamento cansa de esperar o anel e se separa meses após o sim.
a aprovação em si trouxe a recompensa buscada para ele; o conteúdo, o que viria depois deste início, é esquecido em prol da aparência: até sabe dos filósofos, mas não gasta mais que três noites lendo algum; faz curtos comentários ácidos, não quer o trabalho de desenvolver uma história.
na modernidade e suas redes virtuais, a aprovação é elemento motriz: ser belo ou causar impacto são ferramentas de trabalho.
talvez as redes tenham sido o elixir que aflora o caráter das pessoas que vivem na necessidade da aprovação.
mesmo que, conscientes do quão pueril se tornariam, alguns tentem esconder esta necessidade, na arapuca travestida de confessionário das redes sociais ou mesmo pelo convívio diário, o invisível nos salta aos olhos.

22 março 2017

Nao me interessa mais suas exigências ou minhas indulgências.
Não merece.
E em que se baseia o merecimento ou o que significar merecer?
Cansei. Cansei de afirmar a mim sobre meus merecimentos.

15 novembro 2016

medo de ter perdido a mão 
Para poesia e para juventude
Sai nas noites pra reafirmar a juventude
me apaixonei para avivar a poesia

Em uma declaração soei velha
ao perceber que se interessava por publicações
De contornos e produção que nem jovem eu tinha
Hoje então...
Descrevo o ocorrido por seu ridículo 
Mas também por perceber o obvio
Que sou uma mulher
Que minha coragem convive com minhas carências 
Mas vale o que sou
E a beleza do tipo não facebookiano
Nem sempre aparece nas fotos

10 agosto 2016

Para mim é claro que fui várias. aqui ou distante.

Para minha mãe

Minha mãe deixou sonhos em mim. Vontades, desejos, revelados ou inconscientes. Pousaram em mim e me senti vindo ao mundo já com incumbências. Digo mãe talvez, ou ao certo, em sentido geral emprestado aos espíritos de outras ericas ou derivados primários da erica. Sinto que vim tendo o que fazer, terminar, iniciar, experimentar ou deixar ir de vez. Cada pessoa que encontro e sinto uma conexão de outrora já sei que é uma linha a puxar com a unha. Puxo para a minha vida até o ponto da aparente resolução. Todas linhas são como linhas. Às vezes arrebentam. Outras me trançam.

17 julho 2016

dias estranhos
ando tumultuada, angustiada, pensamentos de futuro e não futuro
a angustia de morte, que vem quando muda o paladar
e se para de sentir o gosto da vida
achando bom doer as costas pra despistar a dor da alma
uma dor de não sentir
de não ver um amanhã
o vazio do coração leva a isto tudo

27 junho 2016

Teu silêncio é minha única sensação de privacidade.

30 janeiro 2015

quando pensei em voltar aqui, pensei? e se eu contar? não poderia.
estou aqui por outra razão, não por esta. vivi coisas demais. fiz mudanças. entrei e sai de lugares que eu voltaria, mas não agora. as almas precisam penar por ai antes. vivi pra mim mesma. me perdoei. deixei o tempo passar e o vi passar. dei segundas, terceiras, inúmeras chances pra mim mesma, principalmente. persisti, meio que desistindo, mas sabendo que tentaria novamente. fracassei. fracassei bastante. me encontrei, me acalmei, me amei. apenas vivi e me permiti viver. estou melhor. sinto falta, obvio, do que foi, mas é temporário. talvez mais uns anos e o que foi ficará onde tem que estar. longe. mesmo se próximo, longe. saberei ignorar. basta olhar mais uma vez pra ver que não é nada do que idealizou. pq o que achou que ama é o que idealizou, nao o que é. o que é é o que é, aquilo que não te toca nem te situa em si mesmo. destoa. mas vc se esquece da aberração da realidade e ainda acha ser o que é. ainda vai acontecer. acalme-se. persista. viva. está indo bem.

26 outubro 2013

o que é a felicidade senão a harmonia entre o homem e a vida que ele leva? camus

25 outubro 2013

não dá pra mudar o passado no passado. faça o presente.

17 outubro 2013

cabelos crescem

me orgulho de não ser uma covarde. me orgulho de não ter medo da dor e do amor. nunca fui evasiva. usei mais interrogações que reticências na vida. orgulho-me. percebo-me. percebo a mim. são apenas riscos. cabelos crescem.

06 outubro 2013

autoajuda

não troque uma pica presente por uma pica futura que acabará com um livro de autoajuda.

04 outubro 2013

um pássaro que, preso por dois dedos de uma mão, bate as asas. assim que os dedos se afrouxam, encontra a liberdade no mesmo instante e segundo, já que as asas não cessaram de bater.

01 outubro 2013

passeio

conheci uma menina
passei bons momentos ao seu lado
era observadora e destemida
aparentava um olhar confiante
disfarçava bem suas incertezas
ela via os tropeços com bons olhos
e o mundo com ótimos olhos
estava solitária, mas não infeliz
havia uma felicidade interna nela
como uma luz incansável
era observadora, mas não julgava
observava o diferente
se posicionava e seguia
identificação ou não identificação
e permanece a apreciação

15 setembro 2013

dedo na ferida

você já sabe onde esteve. agora resta saber aonde vai.

13 julho 2013

caranguejo da flor de riso

sê minha esperança, cavaleiro andante. em meus valores que já vi há tantos serem jogados ao lixo. dê sentido para a amizade, para a fidelidade. dê valor para quem tem tanto amor, sem achar serventia para ele. vê em mim algo bom que eu sei ter. sê a minha segunda chance. sê o sentido do perdão, mesmo se não existir o pecado. sê minha esperança. seja o meu amor.

18 junho 2013

São Paulo

quantas vezes vaguei solitária pela cidade
admirada pelo tamanho
rostos por mim passavam
retrovisores que por mim cruzavam
desconhecidos
multidão sem identidade

hoje caminho pela cidade
admirada pelo tamanho
inspirada pelas bandeiras
envolvida pelas vozes
essa multidão tem identidade



31 maio 2013

"sua coragem é do justo tamanho de seu medo" hj

30 maio 2013

amigos

dentro de minha casa carrego meus mais saudosos instantes, de modo que não sei mais se sou eu ou uma repetição de mim. 
então tento mixar a nostalgia com o sol do dia para criar esta construção.