recebo um salário por ora. me adiantaram meio décimo terceiro após um mês trabalhado. foi como ficar milionária. viajei três fins de semana seguidos para minas. todas memoráveis, mas me foco aqui na terceira. voltei pra terra que viu tornar-me adulta. cheguei na rodoviária acompanhada de uma amiga destes velhos tempos e um novo amigo. eram sete e meia da manhã quando pensamos a um só tempo: tomar café da manhã na padaria mais cara e inacessível nos tempos de faculdade. chegando lá, enquanto me servia, entra uma companheira de rocks e república, com seus novos dreds ainda não conhecidos por mim. coincidência deliciosa que nos rendeu sucessivos abraços saudosos, abraços de bêbado por parte dela. estava voltando da sua festa de colação de grau acompanhada de um grande amigo que estava até então no banheiro da padaria. nessas horas da manhã, no grau de alcool no sangue que estava e apertado para ir ao banheiro, nao podia esperar que ele me visse na fila do pão. como ele disse: que imagem surreal! encontramo-nos. não podia deixar passar esse encontro em branco. deixei minha amiga de viagem e fomos, eu e os recém encontrados, sentarmos na grama, em frente à lagoa que espelhava as quatro pilatras da entrada da universidade e o céu azul, do azul do céu de viçosa. fumamos um cigarrinho a poucos metros da guarita, coisa que não fiz em quatro anos de faculdade. melhor hora de fazê-lo, sem risco ademais. ficamos ali, rindo, falando, vendo os velhinhos caminhando e a bela imagem da lagoa, as quatro pilastras e a árvore postal com sua forma de cogumelo gigante. foi surreal, às oito da manhã de um dia qualquer.
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