22 novembro 2021

João

 eu o tive guardado em um canto de mim

não consigo me lembrar de um momento da vida que eu não o visse lá

mas de lá ele não me olhava

era eu que o admirava

vendo sua vida acima dos seus ombros

quando sua cadeira virou e, enfim, cruzamos o olhar

achei que seu olhar fosse de admiração

não me lembrei do tempo que ele poderia ter virado a cadeira e nunca o fez


aquele olhar foi fortuito

e a cadeira voltou ao seu normal


preciso limpar aquele canto

 

07 agosto 2020

haverá amor mais a frente?

é tão difícil acreditar.

daqui de baixo. deste ponto fundo que não me ergo. 

não acho nem lembranças para me confortar. menos ainda esperanças.

haverá o conforto do abraço que dá sentido a tudo?

a voz que se ouve antes de dormir e ao acordar. doce, forte.

o sorriso. haverá o sorriso? aquele que se dá só de olhar e ver.

ver a razão dos dias.

será?

02 março 2018

"o invisível nos salta aos olhos"

entendo que algumas pessoas tenham esta necessidade de aprovação, que, por si, se torna um fim, embora sua função original devesse ter o início de algo.
e que neste paradoxo se vão as grandes chances da vida: o emprego mais desejado vira um pedido voluntário de demissão assim que se consolida; a mulher a quem se pede em casamento cansa de esperar o anel e se separa meses após o sim.
a aprovação em si trouxe a recompensa buscada para ele; o conteúdo, o que viria depois deste início, é esquecido em prol da aparência: até sabe dos filósofos, mas não gasta mais que três noites lendo algum; faz curtos comentários ácidos, não quer o trabalho de desenvolver uma história.
na modernidade e suas redes virtuais, a aprovação é elemento motriz: ser belo ou causar impacto são ferramentas de trabalho.
talvez as redes tenham sido o elixir que aflora o caráter das pessoas que vivem na necessidade da aprovação.
mesmo que, conscientes do quão pueril se tornariam, alguns tentem esconder esta necessidade, na arapuca travestida de confessionário das redes sociais ou mesmo pelo convívio diário, o invisível nos salta aos olhos.

22 março 2017

Nao me interessa mais suas exigências ou minhas indulgências.
Não merece.
E em que se baseia o merecimento ou o que significar merecer?
Cansei. Cansei de afirmar a mim sobre meus merecimentos.

15 novembro 2016

medo de ter perdido a mão 
Para poesia e para juventude
Sai nas noites pra reafirmar a juventude
me apaixonei para avivar a poesia

Em uma declaração soei velha
ao perceber que se interessava por publicações
De contornos e produção que nem jovem eu tinha
Hoje então...
Descrevo o ocorrido por seu ridículo 
Mas também por perceber o obvio
Que sou uma mulher
Que minha coragem convive com minhas carências 
Mas vale o que sou
E a beleza do tipo não facebookiano
Nem sempre aparece nas fotos

10 agosto 2016

Para mim é claro que fui várias. aqui ou distante.

Para minha mãe

Minha mãe deixou sonhos em mim. Vontades, desejos, revelados ou inconscientes. Pousaram em mim e me senti vindo ao mundo já com incumbências. Digo mãe talvez, ou ao certo, em sentido geral emprestado aos espíritos de outras ericas ou derivados primários da erica. Sinto que vim tendo o que fazer, terminar, iniciar, experimentar ou deixar ir de vez. Cada pessoa que encontro e sinto uma conexão de outrora já sei que é uma linha a puxar com a unha. Puxo para a minha vida até o ponto da aparente resolução. Todas linhas são como linhas. Às vezes arrebentam. Outras me trançam.

17 julho 2016

dias estranhos
ando tumultuada, angustiada, pensamentos de futuro e não futuro
a angustia de morte, que vem quando muda o paladar
e se para de sentir o gosto da vida
achando bom doer as costas pra despistar a dor da alma
uma dor de não sentir
de não ver um amanhã
o vazio do coração leva a isto tudo

27 junho 2016

Teu silêncio é minha única sensação de privacidade.

30 janeiro 2015

quando pensei em voltar aqui, pensei? e se eu contar? não poderia.
estou aqui por outra razão, não por esta. vivi coisas demais. fiz mudanças. entrei e sai de lugares que eu voltaria, mas não agora. as almas precisam penar por ai antes. vivi pra mim mesma. me perdoei. deixei o tempo passar e o vi passar. dei segundas, terceiras, inúmeras chances pra mim mesma, principalmente. persisti, meio que desistindo, mas sabendo que tentaria novamente. fracassei. fracassei bastante. me encontrei, me acalmei, me amei. apenas vivi e me permiti viver. estou melhor. sinto falta, obvio, do que foi, mas é temporário. talvez mais uns anos e o que foi ficará onde tem que estar. longe. mesmo se próximo, longe. saberei ignorar. basta olhar mais uma vez pra ver que não é nada do que idealizou. pq o que achou que ama é o que idealizou, nao o que é. o que é é o que é, aquilo que não te toca nem te situa em si mesmo. destoa. mas vc se esquece da aberração da realidade e ainda acha ser o que é. ainda vai acontecer. acalme-se. persista. viva. está indo bem.

26 outubro 2013

o que é a felicidade senão a harmonia entre o homem e a vida que ele leva? camus