resgate
resgato-me de onde quer que eu vá parar. saí por aí acompanhada de mil outros corporificados em um, e tantos me embaralharam o caminho que fui não sei para onde. ainda estou a caminhar, acompanhando alguns vultos que julgo ser dos meus. claro que são dos meus, têm o mesmo jeito de andar truculento e quase não param para descançar. reconheço, por isso acho melhor seguir. mas são apenas vultos, não olham para trás, não me olham nos olhos, como posso saber se são reais ou espíritos? vou tentar me aproximar. corro. eles se espalham. são espíritos. melhor eu voltar. mas em que caminho? na última encruzilhada que me embaralhei em tantos, para que lado foram os outros? escolho e sigo. é o que me parece ser, mas andar sem ser seguindo algo às vezes confunde ainda mais.
08 dezembro 2009
03 dezembro 2009
descoberta
onde estou senão na ponto do nariz
me vejo envesgando os olhos
como falo senão pelo berro que solto na rua deserta
deserta de até eu mesma
como canto senão pelos murmúrios
sou uma biblioteca onde só falam os livros
como brigo senão com os que amo
de ódio
onde adormeço senão ao colo do primeiro que me oferece
como acordo senão no meio de uma conversa inercialmente iniciada
como estremeço senão ao toque final
como avisto senão pelo olhar fortuito
solto ao vento
d'onde vim senão do telefonema semanal à família
pr'onde vou senão para o espaço vago
ao lado
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