"happiness only real when share"
11 dezembro 2010
amores
restou algo de cada. não haveria de ser diferente. cada erica de cada tempo, com cada companhia, cada esforço, cada devaneio, cada uma fazendo o que vejo refletido agora.
há um muro que não é fusco nem translúcido, ele me reflete e nele a identificação de que tanto careço surge. eu.
sem medo de copiar, já que os retalhos não formarão cópias, sim novos seres.
cada peça que compôs o momento merece ser relembrada e ganhar seu lugar na formação.
vejamos o que passou e já foi absorvido: é, prevaleceu. basta um mínimo esforço mental para perceber. agora os outros: devo apenas guardá-los, relembrá-los. compor mente e corpo com o contato do que foi autêntico. sim, me aproximei de seres autênticos, a mais rica fonte. agora é hora de concluir essa parte para tornar a me abrir pro resto. buscar apenas depois da concentração. depois de colocar na estante sabendo que esta etapa foi encerrada e tenho em mim suas conclusões tão lúcidas que elas sou eu.
05 dezembro 2010
25 outubro 2010
canto meu
lá onde não mais se vai
se dá a volta pois não se sai
é lá que entro pra ficar
agacho, me acolho, bastou aconchegar
aqui estou, e só
da solidão de quem quer estar só
sem dó, apenas por valer estar
onde me acho e
pra me tornar uma mulher, das do tipo que se enfrenta e à vida, o melhor é encarar sozinha, aprender fazendo, enfrentar desavenças com cautela e inteligência, acreditando, com fé. fazer planos curtos, curtíssimo e um ou outro longo. sendo que os curtos fazem sofrer quando desencaminham, mas da tempo de reverter; os curtíssimos foda-se se der treta, tem mais fins de semana no mundo, mais cidades, mais drogas; os longos são a pura metamorfose da construção, junção de reflexões, de foda-ses, de esperas, de afobações, de sexos, de paixões, de dor e muita alegria. o que não abro mão é de viver o que eu planejo e não o que pautam pra mim. gosto de causar, de agitar, ver até onde posso com as pessoas, comigo mesma, com meus sonhos e desejos, com minhas contra versões, loucuras racionais. o que quero é viver de instintos e razões, mas advindos do meu ser, não de terceiros. nada melhor ser só quando ainda se conservam os que se ama e os que te despertam. tesão
16 agosto 2010
imaginário em graça
esperança renovada. lembraria auto-ajuda e folheto de igreja, mas não escapo. sintir uma alegria ao fazer as mesmas monótonas coisas porque agora sinto vibrar um aparelhinho que vem nele escrito coisas lindas.
acreditar no poder ser, futuro encantador, recomeço do que ainda não se deu, alegria impulsionante. voltar a crer.
10 agosto 2010
cronológico
nasci avoada
cresci centímetros e fui trabalhar e estudar
pousei
surgiram hormônios
veio a timidez e a introspecção
pensei
sai de casa
veio a loucura
avoei
quis casar
sofri desilusão
enterrei
voltei a trabalhar
pensei na vida e escolhi
avoei
31 julho 2010
vida nova
recebo um salário por ora. me adiantaram meio décimo terceiro após um mês trabalhado. foi como ficar milionária. viajei três fins de semana seguidos para minas. todas memoráveis, mas me foco aqui na terceira. voltei pra terra que viu tornar-me adulta. cheguei na rodoviária acompanhada de uma amiga destes velhos tempos e um novo amigo. eram sete e meia da manhã quando pensamos a um só tempo: tomar café da manhã na padaria mais cara e inacessível nos tempos de faculdade. chegando lá, enquanto me servia, entra uma companheira de rocks e república, com seus novos dreds ainda não conhecidos por mim. coincidência deliciosa que nos rendeu sucessivos abraços saudosos, abraços de bêbado por parte dela. estava voltando da sua festa de colação de grau acompanhada de um grande amigo que estava até então no banheiro da padaria. nessas horas da manhã, no grau de alcool no sangue que estava e apertado para ir ao banheiro, nao podia esperar que ele me visse na fila do pão. como ele disse: que imagem surreal! encontramo-nos. não podia deixar passar esse encontro em branco. deixei minha amiga de viagem e fomos, eu e os recém encontrados, sentarmos na grama, em frente à lagoa que espelhava as quatro pilatras da entrada da universidade e o céu azul, do azul do céu de viçosa. fumamos um cigarrinho a poucos metros da guarita, coisa que não fiz em quatro anos de faculdade. melhor hora de fazê-lo, sem risco ademais. ficamos ali, rindo, falando, vendo os velhinhos caminhando e a bela imagem da lagoa, as quatro pilastras e a árvore postal com sua forma de cogumelo gigante. foi surreal, às oito da manhã de um dia qualquer.
30 maio 2010
suma
desaparece ser dos infernos
que sua lembrança já num ergue nem poeira do chão
só faz é desfalecer a alma
rouba mais e mais a paz que há tempos já me levou
deixa eu me reeguer
desaparece que seu fedor ainda me incomoda
leva essas mazelas que me trouxe embora
leva esse seu umbigo
faz uma carreira de sua ingratidão
e se não der conta de si sozinho
divida com sua puta homonima
e que a orverdose de vocês seja minha libertação
31 março 2010
ao mau ser
basta dobrar a esquina pra encontrar aconchego prum'alma ofendida
e num tá na supertição aquilo que aquece o coração
tá é na vida, tá na gente, é a gente
que suma quem vem pra destruir
que o que tenho é de valor que não se dá pra gastador de uma figa
o que tenho é esse espírito que nasceu em mim
e isso é mais do que tudo que você fará em mil anos
é mais do que qualquer um fará, ainda menos um qualquer que esnoba amor
um qualquer que aparentou oferecer apreço por ter recebido assim
não por ter
este não vale mais palavras
26 março 2010
25 março 2010
03 março 2010
mau humor
lá vem o desagradável de novo. sempre aparece nestes fins de tarde, cabeça baixa como quem apenas está passando, mas sempre pára e pede um cigarro, e fica, quer falar com todos, entra nos assuntos já em discussão, pergunta por quem não queremos mais lembrar, bebe no copo que não é seu e o seca, sem nunca colocar outra na mesa assim como todos fazem a cada fim de rodada. lá veio de novo e só quem o vê chegando sabe como é impossível o evitar. é sempre mais à vontade que todos, está sempre em casa, mexe no cabelo de um, pede fogo ao outro, faz os desinformados rirem de alguma piada a tantas repetida e isso lhe dá ainda mais espaço. cadeira nunca falta quando aparece e coincide de sempre estarmos recém chegados, nunca de saída. acabamos nos acostumando.