entendo que algumas pessoas tenham esta necessidade de aprovação, que, por si, se torna um fim, embora sua função original devesse ter o início de algo.
e que neste paradoxo se vão as grandes chances da vida: o emprego mais desejado vira um pedido voluntário de demissão assim que se consolida; a mulher a quem se pede em casamento cansa de esperar o anel e se separa meses após o sim.
a aprovação em si trouxe a recompensa buscada para ele; o conteúdo, o que viria depois deste início, é esquecido em prol da aparência: até sabe dos filósofos, mas não gasta mais que três noites lendo algum; faz curtos comentários ácidos, não quer o trabalho de desenvolver uma história.
na modernidade e suas redes virtuais, a aprovação é elemento motriz: ser belo ou causar impacto são ferramentas de trabalho.
talvez as redes tenham sido o elixir que aflora o caráter das pessoas que vivem na necessidade da aprovação.
mesmo que, conscientes do quão pueril se tornariam, alguns tentem esconder esta necessidade, na arapuca travestida de confessionário das redes sociais ou mesmo pelo convívio diário, o invisível nos salta aos olhos.
02 março 2018
"o invisível nos salta aos olhos"
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