me apaixonei para avivar a poesia
ao perceber que se interessava por publicações
De contornos e produção que nem jovem eu tinha
Hoje então...
E a beleza do tipo não facebookiano
Minha mãe deixou sonhos em mim. Vontades, desejos, revelados ou inconscientes. Pousaram em mim e me senti vindo ao mundo já com incumbências. Digo mãe talvez, ou ao certo, em sentido geral emprestado aos espíritos de outras ericas ou derivados primários da erica. Sinto que vim tendo o que fazer, terminar, iniciar, experimentar ou deixar ir de vez. Cada pessoa que encontro e sinto uma conexão de outrora já sei que é uma linha a puxar com a unha. Puxo para a minha vida até o ponto da aparente resolução. Todas linhas são como linhas. Às vezes arrebentam. Outras me trançam.
quando pensei em voltar aqui, pensei? e se eu contar? não poderia.
estou aqui por outra razão, não por esta. vivi coisas demais. fiz mudanças. entrei e sai de lugares que eu voltaria, mas não agora. as almas precisam penar por ai antes. vivi pra mim mesma. me perdoei. deixei o tempo passar e o vi passar. dei segundas, terceiras, inúmeras chances pra mim mesma, principalmente. persisti, meio que desistindo, mas sabendo que tentaria novamente. fracassei. fracassei bastante. me encontrei, me acalmei, me amei. apenas vivi e me permiti viver. estou melhor. sinto falta, obvio, do que foi, mas é temporário. talvez mais uns anos e o que foi ficará onde tem que estar. longe. mesmo se próximo, longe. saberei ignorar. basta olhar mais uma vez pra ver que não é nada do que idealizou. pq o que achou que ama é o que idealizou, nao o que é. o que é é o que é, aquilo que não te toca nem te situa em si mesmo. destoa. mas vc se esquece da aberração da realidade e ainda acha ser o que é. ainda vai acontecer. acalme-se. persista. viva. está indo bem.
me orgulho de não ser uma covarde. me orgulho de não ter medo da dor e do amor. nunca fui evasiva. usei mais interrogações que reticências na vida. orgulho-me. percebo-me. percebo a mim. são apenas riscos. cabelos crescem.
conheci uma menina
passei bons momentos ao seu lado
era observadora e destemida
aparentava um olhar confiante
disfarçava bem suas incertezas
ela via os tropeços com bons olhos
e o mundo com ótimos olhos
estava solitária, mas não infeliz
havia uma felicidade interna nela
como uma luz incansável
era observadora, mas não julgava
observava o diferente
se posicionava e seguia
identificação ou não identificação
e permanece a apreciação
sê minha esperança, cavaleiro andante. em meus valores que já vi há tantos serem jogados ao lixo. dê sentido para a amizade, para a fidelidade. dê valor para quem tem tanto amor, sem achar serventia para ele. vê em mim algo bom que eu sei ter. sê a minha segunda chance. sê o sentido do perdão, mesmo se não existir o pecado. sê minha esperança. seja o meu amor.
quantas vezes vaguei solitária pela cidade
admirada pelo tamanho
rostos por mim passavam
retrovisores que por mim cruzavam
desconhecidos
multidão sem identidade
hoje caminho pela cidade
admirada pelo tamanho
inspirada pelas bandeiras
envolvida pelas vozes
essa multidão tem identidade
a porta se abriu
o espírito se formou na leveza
saltou na poeira
chutou o vento
o caminho se estreitou
procurou-se em si
achou os sonhos
correr fugir
o mundo o alcançou
no sonho apegou
no espírito buscou
mas o tempo o chutou