16 agosto 2010

imaginário em graça

esperança renovada. lembraria auto-ajuda e folheto de igreja, mas não escapo. sintir uma alegria ao fazer as mesmas monótonas coisas porque agora sinto vibrar um aparelhinho que vem nele escrito coisas lindas.
acreditar no poder ser, futuro encantador, recomeço do que ainda não se deu, alegria impulsionante. voltar a crer.

10 agosto 2010

cronológico

nasci avoada
cresci centímetros e fui trabalhar e estudar
pousei
surgiram hormônios
veio a timidez e a introspecção
pensei
sai de casa
veio a loucura
avoei
quis casar
sofri desilusão
enterrei
voltei a trabalhar
pensei na vida e escolhi
avoei

31 julho 2010

vida nova

recebo um salário por ora. me adiantaram meio décimo terceiro após um mês trabalhado. foi como ficar milionária. viajei três fins de semana seguidos para minas. todas memoráveis, mas me foco aqui na terceira. voltei pra terra que viu tornar-me adulta. cheguei na rodoviária acompanhada de uma amiga destes velhos tempos e um novo amigo. eram sete e meia da manhã quando pensamos a um só tempo: tomar café da manhã na padaria mais cara e inacessível nos tempos de faculdade. chegando lá, enquanto me servia, entra uma companheira de rocks e república, com seus novos dreds ainda não conhecidos por mim. coincidência deliciosa que nos rendeu sucessivos abraços saudosos, abraços de bêbado por parte dela. estava voltando da sua festa de colação de grau acompanhada de um grande amigo que estava até então no banheiro da padaria. nessas horas da manhã, no grau de alcool no sangue que estava e apertado para ir ao banheiro, nao podia esperar que ele me visse na fila do pão. como ele disse: que imagem surreal! encontramo-nos. não podia deixar passar esse encontro em branco. deixei minha amiga de viagem e fomos, eu e os recém encontrados, sentarmos na grama, em frente à lagoa que espelhava as quatro pilatras da entrada da universidade e o céu azul, do azul do céu de viçosa. fumamos um cigarrinho a poucos metros da guarita, coisa que não fiz em quatro anos de faculdade. melhor hora de fazê-lo, sem risco ademais. ficamos ali, rindo, falando, vendo os velhinhos caminhando e a bela imagem da lagoa, as quatro pilastras e a árvore postal com sua forma de cogumelo gigante. foi surreal, às oito da manhã de um dia qualquer.

30 maio 2010

suma

desaparece ser dos infernos
que sua lembrança já num ergue nem poeira do chão
só faz é desfalecer a alma
rouba mais e mais a paz que há tempos já me levou

deixa eu me reeguer
desaparece que seu fedor ainda me incomoda
leva essas mazelas que me trouxe embora
leva esse seu umbigo
faz uma carreira de sua ingratidão
e se não der conta de si sozinho
divida com sua puta homonima

e que a orverdose de vocês seja minha libertação

31 março 2010

ao mau ser

basta dobrar a esquina pra encontrar aconchego prum'alma ofendida
e num tá na supertição aquilo que aquece o coração
tá é na vida, tá na gente, é a gente

que suma quem vem pra destruir
que o que tenho é de valor que não se dá pra gastador de uma figa
o que tenho é esse espírito que nasceu em mim
e isso é mais do que tudo que você fará em mil anos
é mais do que qualquer um fará, ainda menos um qualquer que esnoba amor

um qualquer que aparentou oferecer apreço por ter recebido assim
não por ter

este não vale mais palavras

26 março 2010

.

de uma dor desumana, sem um canto onde consiga me esconder, veio esta vontade de me desfazer. não é possível saber e ainda permanecer.

25 março 2010

Não sinto
já há dias não sinto
nem o vento gelado nem a criança rindo
apenas não sinto

03 março 2010

mau humor

lá vem o desagradável de novo. sempre aparece nestes fins de tarde, cabeça baixa como quem apenas está passando, mas sempre pára e pede um cigarro, e fica, quer falar com todos, entra nos assuntos já em discussão, pergunta por quem não queremos mais lembrar, bebe no copo que não é seu e o seca, sem nunca colocar outra na mesa assim como todos fazem a cada fim de rodada. lá veio de novo e só quem o vê chegando sabe como é impossível o evitar. é sempre mais à vontade que todos, está sempre em casa, mexe no cabelo de um, pede fogo ao outro, faz os desinformados rirem de alguma piada a tantas repetida e isso lhe dá ainda mais espaço. cadeira nunca falta quando aparece e coincide de sempre estarmos recém chegados, nunca de saída. acabamos nos acostumando.

21 fevereiro 2010

do destino só se sabe quando já avassala.
tolice calculá=lo.
e se a um foi abraçado como o chegar duma tempestade,
ao outro se fixa apenas no resultado milimetrado
fatalmente traído pelos erros de cálculo

08 dezembro 2009

resgate
resgato-me de onde quer que eu vá parar. saí por aí acompanhada de mil outros corporificados em um, e tantos me embaralharam o caminho que fui não sei para onde. ainda estou a caminhar, acompanhando alguns vultos que julgo ser dos meus. claro que são dos meus, têm o mesmo jeito de andar truculento e quase não param para descançar. reconheço, por isso acho melhor seguir. mas são apenas vultos, não olham para trás, não me olham nos olhos, como posso saber se são reais ou espíritos? vou tentar me aproximar. corro. eles se espalham. são espíritos. melhor eu voltar. mas em que caminho? na última encruzilhada que me embaralhei em tantos, para que lado foram os outros? escolho e sigo. é o que me parece ser, mas andar sem ser seguindo algo às vezes confunde ainda mais.

03 dezembro 2009

descoberta

onde estou senão na ponto do nariz
me vejo envesgando os olhos

como falo senão pelo berro que solto na rua deserta
deserta de até eu mesma

como canto senão pelos murmúrios
sou uma biblioteca onde só falam os livros

como brigo senão com os que amo
de ódio

onde adormeço senão ao colo do primeiro que me oferece

como acordo senão no meio de uma conversa inercialmente iniciada

como estremeço senão ao toque final

como avisto senão pelo olhar fortuito
solto ao vento

d'onde vim senão do telefonema semanal à família

pr'onde vou senão para o espaço vago
ao lado

26 abril 2009

Sim

Para viver, basta um sim.
Nada demais, mas mais que o trivial, ao menos.
Ser indiferente ao externo preserva apenas meu tédio,
multiplica os desgraçados vícios,
sucumbe o criativo.
Ser sempre aberto também.
O tempero gasta tempo até o ideal.

13 março 2009

ciências

cada coisa tem sua hora e o que nos resta é ser vivo e sensível pra entender qual é a nossa vez. Ancorar-me num sonho pareceu um atraso estático, mas se tornou um deleite em pouco tem corrido. Fazer por simples vontade de existir e não por obrigação cultural é mais que encontrar a felicidade, é se sentir realizada pelo menos neste tempo da ação. O que emerge do sonho é mais que realização, é vida pura sendo vivida. E por isso não se pode dizer que suas obrigações são um percalço, pois elas não passam da parte mais instigante deste processo, o processo da felicidade. O desafio veio pra apimentar, não para amargar. E a realização, ainda aérea, é o castelo mais belo de todos desde que se viu com imaginação o suficiente para construir o primeiro.

05 fevereiro 2009

sacudindo




ancorei-me no sonho e me felicitei pela glória aérea. O vento e o tempo cuidaram do retorno a mim.

27 dezembro 2008

reflexões literárias

nunca vi tanta inutilidade numa única página

02 junho 2008

18 fevereiro 2008

Qualquer outra Coisa

Dois homens sentados estudam, um ao lado do outro. Um deles se levanta para ir embora. O outro o olha demonstrando que ouviu o aviso sobre estar-se indo, depois torna a olhar para seu caderno e estuda. O que havia se levantado arruma suas coisas em silêncio para que não atrapalhe quem estuda. Acaba e sai; antes um tchau simples e curto, um meneio de cabeça. E o olhar do que fica vai embora acompanhando seu parceiro de estudo. Volta os olhos, mas não mais para seu caderno. Não mais estuda. Entrete-se com qualquer outra coisa. Sozinho na mesa não tem mais que fingir estar alheio ao movimento a seu redor, que independe da companhia. Não mais finge e se distrai, olha a mochila, olha ao longe, muda as páginas sem qualquer critério, canetas e lápis, lápis e lápis, e a falta do parceiro que trazia a concentração que lhe escapa.

16 fevereiro 2008

A saudade surge de um engano ao se dimensionar a eternidade.

05 fevereiro 2008

um viva às tardes

das tardes mais memoráveis houve a que brincamos, soltando pipa ou atrás de uma bola ou um amigo, ou apenas correndo. houve também alguma festa, com a timidez ou a falta de assunto nulizada pelos santos remédios que distribuem em festas. houve uma casa, com uma família, comidas gostosas, carinho de parentes e alguma discussão já perdoada desde o seu início. houve um dia a sós, bem acompanhado com a própria presença e pra que mais? já valeu poder estar assim. e hoje houve uma companhia "irresistível" que fez o tempo passar tão rápido e deu tanta vontade de ter mais, mas já foi realmente satisfatório, assim como se tivesse com a simplicidade de uma brincadeira, ou o carinho de alguém querido, ou a ansiedade de saber "o que acham de mim", ou ainda um encontro consigo mesmo - o último sei que não o foi, mas esse é o bom de conviver com as letras, elas permitem a ilusão de maneira mais sutil que o "ao vivo".
Muito obrigada novamente.

01 fevereiro 2008

firmar ou alucinar

ser filho também é um grande desafio, pois temos ao mesmo tempo de ser fiéis às nossas idéias jovens, produtivas, revolucionárias e nada sensatas, e honrar pai e mãe. como agir de forma tão paradoxais? seria tão mais simples se tivéssemos que conviver apenas com o nosso igual, devendo respeito apenas àqueles que nos respeitam, dando mais espaço e nunca tendo de tomá-lo a força, sendo claro e entendíveis, e não tendo que conciliar a palavras sociedade com qualquer termo que lembre alucinação. seria simples demais, seria até mesmo entediante. quem saberia o que seria? toda esta panacéia de família e loucura vira poesia quando assim a quer ver. a dor gera poesia. o sofrimento faz-nos poetas. pra que tirá-lo da nossa vida se é tão satisfatório criar o belo?