08 dezembro 2009

resgate
resgato-me de onde quer que eu vá parar. saí por aí acompanhada de mil outros corporificados em um, e tantos me embaralharam o caminho que fui não sei para onde. ainda estou a caminhar, acompanhando alguns vultos que julgo ser dos meus. claro que são dos meus, têm o mesmo jeito de andar truculento e quase não param para descançar. reconheço, por isso acho melhor seguir. mas são apenas vultos, não olham para trás, não me olham nos olhos, como posso saber se são reais ou espíritos? vou tentar me aproximar. corro. eles se espalham. são espíritos. melhor eu voltar. mas em que caminho? na última encruzilhada que me embaralhei em tantos, para que lado foram os outros? escolho e sigo. é o que me parece ser, mas andar sem ser seguindo algo às vezes confunde ainda mais.

03 dezembro 2009

descoberta

onde estou senão na ponto do nariz
me vejo envesgando os olhos

como falo senão pelo berro que solto na rua deserta
deserta de até eu mesma

como canto senão pelos murmúrios
sou uma biblioteca onde só falam os livros

como brigo senão com os que amo
de ódio

onde adormeço senão ao colo do primeiro que me oferece

como acordo senão no meio de uma conversa inercialmente iniciada

como estremeço senão ao toque final

como avisto senão pelo olhar fortuito
solto ao vento

d'onde vim senão do telefonema semanal à família

pr'onde vou senão para o espaço vago
ao lado

26 abril 2009

Sim

Para viver, basta um sim.
Nada demais, mas mais que o trivial, ao menos.
Ser indiferente ao externo preserva apenas meu tédio,
multiplica os desgraçados vícios,
sucumbe o criativo.
Ser sempre aberto também.
O tempero gasta tempo até o ideal.

13 março 2009

ciências

cada coisa tem sua hora e o que nos resta é ser vivo e sensível pra entender qual é a nossa vez. Ancorar-me num sonho pareceu um atraso estático, mas se tornou um deleite em pouco tem corrido. Fazer por simples vontade de existir e não por obrigação cultural é mais que encontrar a felicidade, é se sentir realizada pelo menos neste tempo da ação. O que emerge do sonho é mais que realização, é vida pura sendo vivida. E por isso não se pode dizer que suas obrigações são um percalço, pois elas não passam da parte mais instigante deste processo, o processo da felicidade. O desafio veio pra apimentar, não para amargar. E a realização, ainda aérea, é o castelo mais belo de todos desde que se viu com imaginação o suficiente para construir o primeiro.

05 fevereiro 2009

sacudindo




ancorei-me no sonho e me felicitei pela glória aérea. O vento e o tempo cuidaram do retorno a mim.

27 dezembro 2008

reflexões literárias

nunca vi tanta inutilidade numa única página

02 junho 2008

18 fevereiro 2008

Qualquer outra Coisa

Dois homens sentados estudam, um ao lado do outro. Um deles se levanta para ir embora. O outro o olha demonstrando que ouviu o aviso sobre estar-se indo, depois torna a olhar para seu caderno e estuda. O que havia se levantado arruma suas coisas em silêncio para que não atrapalhe quem estuda. Acaba e sai; antes um tchau simples e curto, um meneio de cabeça. E o olhar do que fica vai embora acompanhando seu parceiro de estudo. Volta os olhos, mas não mais para seu caderno. Não mais estuda. Entrete-se com qualquer outra coisa. Sozinho na mesa não tem mais que fingir estar alheio ao movimento a seu redor, que independe da companhia. Não mais finge e se distrai, olha a mochila, olha ao longe, muda as páginas sem qualquer critério, canetas e lápis, lápis e lápis, e a falta do parceiro que trazia a concentração que lhe escapa.

16 fevereiro 2008

A saudade surge de um engano ao se dimensionar a eternidade.

05 fevereiro 2008

um viva às tardes

das tardes mais memoráveis houve a que brincamos, soltando pipa ou atrás de uma bola ou um amigo, ou apenas correndo. houve também alguma festa, com a timidez ou a falta de assunto nulizada pelos santos remédios que distribuem em festas. houve uma casa, com uma família, comidas gostosas, carinho de parentes e alguma discussão já perdoada desde o seu início. houve um dia a sós, bem acompanhado com a própria presença e pra que mais? já valeu poder estar assim. e hoje houve uma companhia "irresistível" que fez o tempo passar tão rápido e deu tanta vontade de ter mais, mas já foi realmente satisfatório, assim como se tivesse com a simplicidade de uma brincadeira, ou o carinho de alguém querido, ou a ansiedade de saber "o que acham de mim", ou ainda um encontro consigo mesmo - o último sei que não o foi, mas esse é o bom de conviver com as letras, elas permitem a ilusão de maneira mais sutil que o "ao vivo".
Muito obrigada novamente.

01 fevereiro 2008

firmar ou alucinar

ser filho também é um grande desafio, pois temos ao mesmo tempo de ser fiéis às nossas idéias jovens, produtivas, revolucionárias e nada sensatas, e honrar pai e mãe. como agir de forma tão paradoxais? seria tão mais simples se tivéssemos que conviver apenas com o nosso igual, devendo respeito apenas àqueles que nos respeitam, dando mais espaço e nunca tendo de tomá-lo a força, sendo claro e entendíveis, e não tendo que conciliar a palavras sociedade com qualquer termo que lembre alucinação. seria simples demais, seria até mesmo entediante. quem saberia o que seria? toda esta panacéia de família e loucura vira poesia quando assim a quer ver. a dor gera poesia. o sofrimento faz-nos poetas. pra que tirá-lo da nossa vida se é tão satisfatório criar o belo?

20 janeiro 2008

o que decorre da terrível esperança pode alcançar mais, até a volúpia da liberdade.
ocorre que se deve evitar, ante ao ponto extremo, aquilo que mais poderia ser influenciado e torná-lo inerte.

num castigo ou numa brincadeira de estátua,
o que não age será premiado.

16 janeiro 2008

desconexo


a sexualidade já não anda tranquila com a realidade. bastou deixar de ver o que havia à frente e as fantasias correrem soltas. bastou pouco pra perder lugar às minhas vistas uma singela personificação da afetividade.
o movimento anarquista submergiu às suas ideologias muito do que a racionalidade e a lógico pontuaram como o caminho mais curto. a partir daí percebeu-se que não se casa o lúdico com o concreto, e restou apenas o que não se explica, pois até os números tomam outra forma quando são contaminados.

guardei minhas amigas num galinheiro.
explico-me: estivemos correndo de um leão, mas este só não nos devorou por fanfarrisse. já sem muita agilidade, combinei o que tive em mãos e a oportunidade da desatenção camuflando nosso aspecto e nosso cheiro com o das galinhas. Quando a fanfarrisse felina se findou pude acordar do sonho sem sustos.

05 janeiro 2008


É desesperante rever o inaceitável.

25 abril 2007

e?

Quando a ação remete ao cansaço
o pensar à dúvida
o curtir ao remorso
o sofrer ao exílio
a amizade ao cuidado
o beijo ao amanhã
a preguiça à preocupação
o estudo a sua serventia
a viagem à volta
o expor ao reflexo
o novo às interligações
o ócio ao sustento

E volta o recomeço a hesitar-me
sem sombra da certeza nas questões que tento responder
o que fazer? apenas hesito... já em estado contínuo.

29 março 2007

boas lembranças

É engraçado falar isso, mas não me sinto mais atormentada por medos que já me consumiram outrora. Sei do meu lugar em minha vida e prezo por perpetuá-lo quando me ocupo comigo mesma de forma intensa e apaixonada. Não é a companhia que me traz derradeira felicidade, embora exista certeza de que boas companhias são essenciais para cultivar o sorriso nos lábios. A alegria tem que vir de dentro, e pra buscá-la basta-me a consciência de que ela exista.
Existem percalços na vida de todos, humanos e pecadores aos olhos de alguns. Movimentados pelo destino, ficamos à mercê de façanhas, mas elas não são de tudo surpresas. A surpresa existe, mas o sentimento sincero a revela de forma sutil sempre que se faz necessário preparar o coração para sua chegada. Vendo isto, viver parece até fácil. Mas é claro que sabemos que não o é.
É estranho me ver falar disso, mas há uma paz dentro de mim que anseia por se materializar nas palavras. É a paz que a liberdade, o sentir-se satisfeita e sem temores me proporcionam. Talvez me sinta uma emulsão de homem e mulher, composta de forma dolorosa e complementar, mas inteira, sem busca da outra metade, apenas consciente da necessidade de que, além de feliz, preciso carregar meu sorriso em todas as etapas por percorrer.
Ter minha vida por minhas mãos, e graças a Deus e minha família, feita à minha maneira, escrava apenas da liberdade que procuro.

26 março 2007

...

Algo normal e incrível: tornar-se escravo de sua própria consciência.
Contruímos pelas próprias idéias os conceitos de certo e errado, então por que tornar-se escravos destes conceitos? Se ele nos tira o sono, por que não os modificamos para assim obter a tranqüilidade? Não obstante, é esperado que nossa consciência faça de seus portadores indubitavelmente seus prestadores de conta, sendo esta a forma que ela tem pra dominar nossas vidas, deixando que soframos ao contrariá-la.

06 março 2007

Diferença Induzida

Que tal falar sobre aquilo que nunca dá certo? É tão interessante! Vamos, já o fez outras vezes, só mais essa. Vamos andando, cada um do jeito que preferir. Fala o que vier em sua cabeça, mas tem que estar no assunto em pauta: O que deu errado.
O método é simples: Você relata o fato catastrófico e depois se justifica, fala do quanto se esforçou, de como não teve culpa. E isso do jeito que quiser: é você quem manda.
Agora é minha vez: Eu vou contar o mesmo fato, ou outro se for o caso, mas do meu modo, dando meus exemplos e detalhes, e logo em seguida... Bom, eu não vou me justificar. Hoje eu acordei diferente. Estou a fim de falar do pouco que me esforcei, do que não deixei de fazer e de que realmente não estou triste pelo acontecido.
Mas...
Vai, é sua vez. O que vem à sua mente? Vamos reclamar dos fatores exógenos, em como o destino contribuiu para que tudo se desenrolasse assim. Do tempo curto, da alta complexidade, da vez passada que estava mais fácil de fazer bem feito, mas não fez por motivos tais... Motivos e motivos... Não teve culpa, houve motivos. Fala do quanto aprendeu, do quanto carrega de bagagem em seu banco de dados. Fala que não é justo, que capaz você é. Fala, por que eu...
Bom,
Eu fico te ouvindo e vendo o quanto somos diferentes. Não acho que tenho feito o máximo. Fiz o que foi possível levando-se em conta todo o resto. Não estou triste comigo mesma. É uma pena que o tempo passasse de uma forma diferente pra mim. Não que o tempo seja curto, mas é tumultuado. Estava difícil? Não, foram até mais complacentes desta vez. Quem falhou fui eu, assim como já falhei diversas vezes na vida. Já os fatores exógenos, eles sempre irão contribuir para nossa queda, não os considere tão relevantes. Temos que treinar para não cair. Mas chorar? Ah... Não por tão pouco. Serviu para que fique menos presunçosa.

14 fevereiro 2007

tumulto, silêncio... Tumulto.

A Luz é o tumulto
que traz o êxtase e o imediatismo

Só o Imediato é capaz de conciliar o impulso e o sentir profundo
mas o sentir profundo parece Raso nas ondas do tumulto.

A Sombra é o silêncio
Tão simples e inspirante material
que busca, dentro dos sentimentos, a resposta armazenada

Encontrá-la, porém, é Simples
basta olhar os cintilantes sorrisos dispersos nas Intensas ondas do tumulto.