nunca vi tanta inutilidade numa única página
27 dezembro 2008
02 junho 2008
18 fevereiro 2008
Qualquer outra Coisa
Dois homens sentados estudam, um ao lado do outro. Um deles se levanta para ir embora. O outro o olha demonstrando que ouviu o aviso sobre estar-se indo, depois torna a olhar para seu caderno e estuda. O que havia se levantado arruma suas coisas em silêncio para que não atrapalhe quem estuda. Acaba e sai; antes um tchau simples e curto, um meneio de cabeça. E o olhar do que fica vai embora acompanhando seu parceiro de estudo. Volta os olhos, mas não mais para seu caderno. Não mais estuda. Entrete-se com qualquer outra coisa. Sozinho na mesa não tem mais que fingir estar alheio ao movimento a seu redor, que independe da companhia. Não mais finge e se distrai, olha a mochila, olha ao longe, muda as páginas sem qualquer critério, canetas e lápis, lápis e lápis, e a falta do parceiro que trazia a concentração que lhe escapa.
16 fevereiro 2008
05 fevereiro 2008
um viva às tardes
das tardes mais memoráveis houve a que brincamos, soltando pipa ou atrás de uma bola ou um amigo, ou apenas correndo. houve também alguma festa, com a timidez ou a falta de assunto nulizada pelos santos remédios que distribuem em festas. houve uma casa, com uma família, comidas gostosas, carinho de parentes e alguma discussão já perdoada desde o seu início. houve um dia a sós, bem acompanhado com a própria presença e pra que mais? já valeu poder estar assim. e hoje houve uma companhia "irresistível" que fez o tempo passar tão rápido e deu tanta vontade de ter mais, mas já foi realmente satisfatório, assim como se tivesse com a simplicidade de uma brincadeira, ou o carinho de alguém querido, ou a ansiedade de saber "o que acham de mim", ou ainda um encontro consigo mesmo - o último sei que não o foi, mas esse é o bom de conviver com as letras, elas permitem a ilusão de maneira mais sutil que o "ao vivo".
Muito obrigada novamente.
01 fevereiro 2008
firmar ou alucinar
ser filho também é um grande desafio, pois temos ao mesmo tempo de ser fiéis às nossas idéias jovens, produtivas, revolucionárias e nada sensatas, e honrar pai e mãe. como agir de forma tão paradoxais? seria tão mais simples se tivéssemos que conviver apenas com o nosso igual, devendo respeito apenas àqueles que nos respeitam, dando mais espaço e nunca tendo de tomá-lo a força, sendo claro e entendíveis, e não tendo que conciliar a palavras sociedade com qualquer termo que lembre alucinação. seria simples demais, seria até mesmo entediante. quem saberia o que seria? toda esta panacéia de família e loucura vira poesia quando assim a quer ver. a dor gera poesia. o sofrimento faz-nos poetas. pra que tirá-lo da nossa vida se é tão satisfatório criar o belo?
20 janeiro 2008
16 janeiro 2008
desconexo

a sexualidade já não anda tranquila com a realidade. bastou deixar de ver o que havia à frente e as fantasias correrem soltas. bastou pouco pra perder lugar às minhas vistas uma singela personificação da afetividade.
o movimento anarquista submergiu às suas ideologias muito do que a racionalidade e a lógico pontuaram como o caminho mais curto. a partir daí percebeu-se que não se casa o lúdico com o concreto, e restou apenas o que não se explica, pois até os números tomam outra forma quando são contaminados.
guardei minhas amigas num galinheiro.
explico-me: estivemos correndo de um leão, mas este só não nos devorou por fanfarrisse. já sem muita agilidade, combinei o que tive em mãos e a oportunidade da desatenção camuflando nosso aspecto e nosso cheiro com o das galinhas. Quando a fanfarrisse felina se findou pude acordar do sonho sem sustos.
05 janeiro 2008
25 abril 2007
e?
Quando a ação remete ao cansaço
o pensar à dúvida
o curtir ao remorso
o sofrer ao exílio
a amizade ao cuidado
o beijo ao amanhã
a preguiça à preocupação
o estudo a sua serventia
a viagem à volta
o expor ao reflexo
o novo às interligações
o ócio ao sustento
E volta o recomeço a hesitar-me
sem sombra da certeza nas questões que tento responder
o que fazer? apenas hesito... já em estado contínuo.
29 março 2007
boas lembranças
É engraçado falar isso, mas não me sinto mais atormentada por medos que já me consumiram outrora. Sei do meu lugar em minha vida e prezo por perpetuá-lo quando me ocupo comigo mesma de forma intensa e apaixonada. Não é a companhia que me traz derradeira felicidade, embora exista certeza de que boas companhias são essenciais para cultivar o sorriso nos lábios. A alegria tem que vir de dentro, e pra buscá-la basta-me a consciência de que ela exista.
Existem percalços na vida de todos, humanos e pecadores aos olhos de alguns. Movimentados pelo destino, ficamos à mercê de façanhas, mas elas não são de tudo surpresas. A surpresa existe, mas o sentimento sincero a revela de forma sutil sempre que se faz necessário preparar o coração para sua chegada. Vendo isto, viver parece até fácil. Mas é claro que sabemos que não o é.
É estranho me ver falar disso, mas há uma paz dentro de mim que anseia por se materializar nas palavras. É a paz que a liberdade, o sentir-se satisfeita e sem temores me proporcionam. Talvez me sinta uma emulsão de homem e mulher, composta de forma dolorosa e complementar, mas inteira, sem busca da outra metade, apenas consciente da necessidade de que, além de feliz, preciso carregar meu sorriso em todas as etapas por percorrer.
Ter minha vida por minhas mãos, e graças a Deus e minha família, feita à minha maneira, escrava apenas da liberdade que procuro.
26 março 2007
...
Contruímos pelas próprias idéias os conceitos de certo e errado, então por que tornar-se escravos destes conceitos? Se ele nos tira o sono, por que não os modificamos para assim obter a tranqüilidade? Não obstante, é esperado que nossa consciência faça de seus portadores indubitavelmente seus prestadores de conta, sendo esta a forma que ela tem pra dominar nossas vidas, deixando que soframos ao contrariá-la.
06 março 2007
Diferença Induzida
O método é simples: Você relata o fato catastrófico e depois se justifica, fala do quanto se esforçou, de como não teve culpa. E isso do jeito que quiser: é você quem manda.
Agora é minha vez: Eu vou contar o mesmo fato, ou outro se for o caso, mas do meu modo, dando meus exemplos e detalhes, e logo em seguida... Bom, eu não vou me justificar. Hoje eu acordei diferente. Estou a fim de falar do pouco que me esforcei, do que não deixei de fazer e de que realmente não estou triste pelo acontecido.
Mas...
Eu fico te ouvindo e vendo o quanto somos diferentes. Não acho que tenho feito o máximo. Fiz o que foi possível levando-se em conta todo o resto. Não estou triste comigo mesma. É uma pena que o tempo passasse de uma forma diferente pra mim. Não que o tempo seja curto, mas é tumultuado. Estava difícil? Não, foram até mais complacentes desta vez. Quem falhou fui eu, assim como já falhei diversas vezes na vida. Já os fatores exógenos, eles sempre irão contribuir para nossa queda, não os considere tão relevantes. Temos que treinar para não cair. Mas chorar? Ah... Não por tão pouco. Serviu para que fique menos presunçosa.
14 fevereiro 2007
tumulto, silêncio... Tumulto.
A Luz é o tumulto
que traz o êxtase e o imediatismo
Só o Imediato é capaz de conciliar o impulso e o sentir profundo
mas o sentir profundo parece Raso nas ondas do tumulto.
A Sombra é o silêncio
Tão simples e inspirante material
que busca, dentro dos sentimentos, a resposta armazenada
Encontrá-la, porém, é Simples
basta olhar os cintilantes sorrisos dispersos nas Intensas ondas do tumulto.
08 janeiro 2007
Resumindo Lembranças Recentes
Comecei com um tropeço que teve diversos motivos para acontecer, portanto não foi nenhuma queda brusca. Mas um tropeço é sempre um tropeço, independente de suas justificativas. Por alguns instantes achei que ele iria afetar toda a caminhada dali em diante, então busquei outro caminho.
Esforcei-me nesta outra caminhada, tão perturbadora, aflita, um verdadeiro desafio que a deixou em uma forma encantadora, e este foi o principal motivo da minha permanência. Resolvi, no momento seguinte, entregar-me de corpo e alma nesta jornada, transpor quaisquer barreiras com paciência, persistência e amor. Entreguei-me tanto que não olhava mais para os lados, para os atalhos que poderia pegar. Como se tivesse viseiras de burro ao redor dos olhos, seguia apenas minha diretriz inicial.
Absorta com a novidade de um desafio, não via o quanto me machucava, o quanto me arranhava, sangrava, ardia, o quanto caía. Desta vez não eram apenas tropeços, eram quedas findadas.
Até que... cheguei ao extremo. Tive que parar para ser medicada. Aproveitei o momento para pensar: o que me levou a sair do outro caminho? E agora, o que é um tropeço perto do estado lamentável que me encontro?
Desisti da caminhada. Melhor que seja no meio do caminho que arriscar-me a conhecer seu final. Não ia querer deparar com um abismo.
18 dezembro 2006
28 outubro 2006
27 das luzes
são vagas sensações misturadas a dúvidas e medos. não tenho uma idéia clara em minha cabeça sobre o que quero falar, já que o querer é tanto, mas a vontade que não se materializa. como se estivesse fora do meu estado sóbrio e tentasse concluir um raciocínio seqüencial e pormenorizado. é como estar na ponta da língua, ao ponto ótimo de se aproximar, vendo o silêncio do espaço de sua fala acontecer... e vacilar. são sensações fortes, mas desconexas, paradoxais, descabidas e, portanto, vagas.
...
vi um caminho que me estava sendo insistentemente mostrado.
vi fleches de um sonho distante.
vi um passado presente e marcando sua existência intensamente.
me vi visada, desejada, querida.
antes me vi esnobada, perdida.
me vi em sonho e me toquei.
um novo rumo? acho que a luz brilhou foi pro velho que não ultrapassado.
19 setembro 2006
SimultâNeo
Faz algum sentido ser o apenas,
O que fez algo ou alguém sem algo ou alguém fazendo junto?
A razão do estar, a lembrança do momento.
Se fosse apenas você... O quê?
Nem se iria lembrar, pois não faz sentido.
O sentir simultâneo,
O impulso, o trabalho, o desejo,
A força, a saudade, o sorriso,
A alegria simultânea é a que se faz intensa.
Se apenas você, duraria menos que uma breve recordação.
Não faz sentido ser apenas um quando se pode tocar simultaneamente uma vida sonhada junto.
14 setembro 2006
Virando uma página
Encaro uma vida torta
Um hoje diferente e pior que o ontem
Vejo e me choco com meus erros
Já não é mais criatividade que existe em mim
É ignorância abusada
O sonho se desfaz
O pesadelo vira realidade
A vida perdeu seu encanto
E eu me desenganei
Talvez eu desista
Mas dizem que isto é covardia
E o que eu vivo hoje?
Não seria covardia o seu atual adjetivo?
Sem minha inocência
Com meus vícios
Sem a técnica
Com a burrice
Uma a mais
E não acrescentando como outrora
Agora apenas mais uma preocupação
E não tão doce
Melhor pensar em algo antes que desista
Melhor fazer algo
Melhorar-me que já é tarde.
