18 fevereiro 2008

Qualquer outra Coisa

Dois homens sentados estudam, um ao lado do outro. Um deles se levanta para ir embora. O outro o olha demonstrando que ouviu o aviso sobre estar-se indo, depois torna a olhar para seu caderno e estuda. O que havia se levantado arruma suas coisas em silêncio para que não atrapalhe quem estuda. Acaba e sai; antes um tchau simples e curto, um meneio de cabeça. E o olhar do que fica vai embora acompanhando seu parceiro de estudo. Volta os olhos, mas não mais para seu caderno. Não mais estuda. Entrete-se com qualquer outra coisa. Sozinho na mesa não tem mais que fingir estar alheio ao movimento a seu redor, que independe da companhia. Não mais finge e se distrai, olha a mochila, olha ao longe, muda as páginas sem qualquer critério, canetas e lápis, lápis e lápis, e a falta do parceiro que trazia a concentração que lhe escapa.

16 fevereiro 2008

A saudade surge de um engano ao se dimensionar a eternidade.

05 fevereiro 2008

um viva às tardes

das tardes mais memoráveis houve a que brincamos, soltando pipa ou atrás de uma bola ou um amigo, ou apenas correndo. houve também alguma festa, com a timidez ou a falta de assunto nulizada pelos santos remédios que distribuem em festas. houve uma casa, com uma família, comidas gostosas, carinho de parentes e alguma discussão já perdoada desde o seu início. houve um dia a sós, bem acompanhado com a própria presença e pra que mais? já valeu poder estar assim. e hoje houve uma companhia "irresistível" que fez o tempo passar tão rápido e deu tanta vontade de ter mais, mas já foi realmente satisfatório, assim como se tivesse com a simplicidade de uma brincadeira, ou o carinho de alguém querido, ou a ansiedade de saber "o que acham de mim", ou ainda um encontro consigo mesmo - o último sei que não o foi, mas esse é o bom de conviver com as letras, elas permitem a ilusão de maneira mais sutil que o "ao vivo".
Muito obrigada novamente.

01 fevereiro 2008

firmar ou alucinar

ser filho também é um grande desafio, pois temos ao mesmo tempo de ser fiéis às nossas idéias jovens, produtivas, revolucionárias e nada sensatas, e honrar pai e mãe. como agir de forma tão paradoxais? seria tão mais simples se tivéssemos que conviver apenas com o nosso igual, devendo respeito apenas àqueles que nos respeitam, dando mais espaço e nunca tendo de tomá-lo a força, sendo claro e entendíveis, e não tendo que conciliar a palavras sociedade com qualquer termo que lembre alucinação. seria simples demais, seria até mesmo entediante. quem saberia o que seria? toda esta panacéia de família e loucura vira poesia quando assim a quer ver. a dor gera poesia. o sofrimento faz-nos poetas. pra que tirá-lo da nossa vida se é tão satisfatório criar o belo?

20 janeiro 2008

o que decorre da terrível esperança pode alcançar mais, até a volúpia da liberdade.
ocorre que se deve evitar, ante ao ponto extremo, aquilo que mais poderia ser influenciado e torná-lo inerte.

num castigo ou numa brincadeira de estátua,
o que não age será premiado.

16 janeiro 2008

desconexo


a sexualidade já não anda tranquila com a realidade. bastou deixar de ver o que havia à frente e as fantasias correrem soltas. bastou pouco pra perder lugar às minhas vistas uma singela personificação da afetividade.
o movimento anarquista submergiu às suas ideologias muito do que a racionalidade e a lógico pontuaram como o caminho mais curto. a partir daí percebeu-se que não se casa o lúdico com o concreto, e restou apenas o que não se explica, pois até os números tomam outra forma quando são contaminados.

guardei minhas amigas num galinheiro.
explico-me: estivemos correndo de um leão, mas este só não nos devorou por fanfarrisse. já sem muita agilidade, combinei o que tive em mãos e a oportunidade da desatenção camuflando nosso aspecto e nosso cheiro com o das galinhas. Quando a fanfarrisse felina se findou pude acordar do sonho sem sustos.

05 janeiro 2008


É desesperante rever o inaceitável.

25 abril 2007

e?

Quando a ação remete ao cansaço
o pensar à dúvida
o curtir ao remorso
o sofrer ao exílio
a amizade ao cuidado
o beijo ao amanhã
a preguiça à preocupação
o estudo a sua serventia
a viagem à volta
o expor ao reflexo
o novo às interligações
o ócio ao sustento

E volta o recomeço a hesitar-me
sem sombra da certeza nas questões que tento responder
o que fazer? apenas hesito... já em estado contínuo.

29 março 2007

boas lembranças

É engraçado falar isso, mas não me sinto mais atormentada por medos que já me consumiram outrora. Sei do meu lugar em minha vida e prezo por perpetuá-lo quando me ocupo comigo mesma de forma intensa e apaixonada. Não é a companhia que me traz derradeira felicidade, embora exista certeza de que boas companhias são essenciais para cultivar o sorriso nos lábios. A alegria tem que vir de dentro, e pra buscá-la basta-me a consciência de que ela exista.
Existem percalços na vida de todos, humanos e pecadores aos olhos de alguns. Movimentados pelo destino, ficamos à mercê de façanhas, mas elas não são de tudo surpresas. A surpresa existe, mas o sentimento sincero a revela de forma sutil sempre que se faz necessário preparar o coração para sua chegada. Vendo isto, viver parece até fácil. Mas é claro que sabemos que não o é.
É estranho me ver falar disso, mas há uma paz dentro de mim que anseia por se materializar nas palavras. É a paz que a liberdade, o sentir-se satisfeita e sem temores me proporcionam. Talvez me sinta uma emulsão de homem e mulher, composta de forma dolorosa e complementar, mas inteira, sem busca da outra metade, apenas consciente da necessidade de que, além de feliz, preciso carregar meu sorriso em todas as etapas por percorrer.
Ter minha vida por minhas mãos, e graças a Deus e minha família, feita à minha maneira, escrava apenas da liberdade que procuro.

26 março 2007

...

Algo normal e incrível: tornar-se escravo de sua própria consciência.
Contruímos pelas próprias idéias os conceitos de certo e errado, então por que tornar-se escravos destes conceitos? Se ele nos tira o sono, por que não os modificamos para assim obter a tranqüilidade? Não obstante, é esperado que nossa consciência faça de seus portadores indubitavelmente seus prestadores de conta, sendo esta a forma que ela tem pra dominar nossas vidas, deixando que soframos ao contrariá-la.

06 março 2007

Diferença Induzida

Que tal falar sobre aquilo que nunca dá certo? É tão interessante! Vamos, já o fez outras vezes, só mais essa. Vamos andando, cada um do jeito que preferir. Fala o que vier em sua cabeça, mas tem que estar no assunto em pauta: O que deu errado.
O método é simples: Você relata o fato catastrófico e depois se justifica, fala do quanto se esforçou, de como não teve culpa. E isso do jeito que quiser: é você quem manda.
Agora é minha vez: Eu vou contar o mesmo fato, ou outro se for o caso, mas do meu modo, dando meus exemplos e detalhes, e logo em seguida... Bom, eu não vou me justificar. Hoje eu acordei diferente. Estou a fim de falar do pouco que me esforcei, do que não deixei de fazer e de que realmente não estou triste pelo acontecido.
Mas...
Vai, é sua vez. O que vem à sua mente? Vamos reclamar dos fatores exógenos, em como o destino contribuiu para que tudo se desenrolasse assim. Do tempo curto, da alta complexidade, da vez passada que estava mais fácil de fazer bem feito, mas não fez por motivos tais... Motivos e motivos... Não teve culpa, houve motivos. Fala do quanto aprendeu, do quanto carrega de bagagem em seu banco de dados. Fala que não é justo, que capaz você é. Fala, por que eu...
Bom,
Eu fico te ouvindo e vendo o quanto somos diferentes. Não acho que tenho feito o máximo. Fiz o que foi possível levando-se em conta todo o resto. Não estou triste comigo mesma. É uma pena que o tempo passasse de uma forma diferente pra mim. Não que o tempo seja curto, mas é tumultuado. Estava difícil? Não, foram até mais complacentes desta vez. Quem falhou fui eu, assim como já falhei diversas vezes na vida. Já os fatores exógenos, eles sempre irão contribuir para nossa queda, não os considere tão relevantes. Temos que treinar para não cair. Mas chorar? Ah... Não por tão pouco. Serviu para que fique menos presunçosa.

14 fevereiro 2007

tumulto, silêncio... Tumulto.

A Luz é o tumulto
que traz o êxtase e o imediatismo

Só o Imediato é capaz de conciliar o impulso e o sentir profundo
mas o sentir profundo parece Raso nas ondas do tumulto.

A Sombra é o silêncio
Tão simples e inspirante material
que busca, dentro dos sentimentos, a resposta armazenada

Encontrá-la, porém, é Simples
basta olhar os cintilantes sorrisos dispersos nas Intensas ondas do tumulto.

08 janeiro 2007

Resumindo Lembranças Recentes


Comecei com um tropeço que teve diversos motivos para acontecer, portanto não foi nenhuma queda brusca. Mas um tropeço é sempre um tropeço, independente de suas justificativas. Por alguns instantes achei que ele iria afetar toda a caminhada dali em diante, então busquei outro caminho.
Esforcei-me nesta outra caminhada, tão perturbadora, aflita, um verdadeiro desafio que a deixou em uma forma encantadora, e este foi o principal motivo da minha permanência. Resolvi, no momento seguinte, entregar-me de corpo e alma nesta jornada, transpor quaisquer barreiras com paciência, persistência e amor. Entreguei-me tanto que não olhava mais para os lados, para os atalhos que poderia pegar. Como se tivesse viseiras de burro ao redor dos olhos, seguia apenas minha diretriz inicial.
Absorta com a novidade de um desafio, não via o quanto me machucava, o quanto me arranhava, sangrava, ardia, o quanto caía. Desta vez não eram apenas tropeços, eram quedas findadas.
Até que... cheguei ao extremo. Tive que parar para ser medicada. Aproveitei o momento para pensar: o que me levou a sair do outro caminho? E agora, o que é um tropeço perto do estado lamentável que me encontro?
Desisti da caminhada. Melhor que seja no meio do caminho que arriscar-me a conhecer seu final. Não ia querer deparar com um abismo.

18 dezembro 2006

fez-se

há sempre de existir o fim
o mais definitivo dos atos
só ele é capaz de fazer renascer
de alimentar o que desfalecia
de dar vida à esperança

o recomeçar
vendo a realidade por seus próprios olhos
compreender-se

28 outubro 2006

27 das luzes

são vagas sensações misturadas a dúvidas e medos. não tenho uma idéia clara em minha cabeça sobre o que quero falar, já que o querer é tanto, mas a vontade que não se materializa. como se estivesse fora do meu estado sóbrio e tentasse concluir um raciocínio seqüencial e pormenorizado. é como estar na ponta da língua, ao ponto ótimo de se aproximar, vendo o silêncio do espaço de sua fala acontecer... e vacilar. são sensações fortes, mas desconexas, paradoxais, descabidas e, portanto, vagas.


...
vi um caminho que me estava sendo insistentemente mostrado.
vi fleches de um sonho distante.
vi um passado presente e marcando sua existência intensamente.
me vi visada, desejada, querida.
antes me vi esnobada, perdida.
me vi em sonho e me toquei.
um novo rumo? acho que a luz brilhou foi pro velho que não ultrapassado.

19 setembro 2006

SimultâNeo

Faz algum sentido ser o apenas,
O que fez algo ou alguém sem algo ou alguém fazendo junto?
A razão do estar, a lembrança do momento.
Se fosse apenas você... O quê?
Nem se iria lembrar, pois não faz sentido.
O sentir simultâneo,
O impulso, o trabalho, o desejo,
A força, a saudade, o sorriso,
A alegria simultânea é a que se faz intensa.
Se apenas você, duraria menos que uma breve recordação.
Não faz sentido ser apenas um quando se pode tocar simultaneamente uma vida sonhada junto.

14 setembro 2006

Virando uma página

Encaro uma vida torta
Um hoje diferente e pior que o ontem
Vejo e me choco com meus erros
Já não é mais criatividade que existe em mim
É ignorância abusada

O sonho se desfaz
O pesadelo vira realidade
A vida perdeu seu encanto
E eu me desenganei

Talvez eu desista
Mas dizem que isto é covardia
E o que eu vivo hoje?
Não seria covardia o seu atual adjetivo?

Sem minha inocência
Com meus vícios
Sem a técnica
Com a burrice

Uma a mais
E não acrescentando como outrora
Agora apenas mais uma preocupação
E não tão doce

Melhor pensar em algo antes que desista

Melhor fazer algo

Melhorar-me que já é tarde.

20 agosto 2006

Mutável

Um olhar que não se esquiva
Um quase sorriso.

Um silêncio persistente
Uma trilha sonora mental.

Um carinho nos ombros.

Um coração palpitante
Com a consciência tranqüila
E a sensação de obrigação feita.

Um rosto feliz no espelho.

18 agosto 2006

O prelúdio do Bêbado vis-à-vis a Equilibrista.

Nota que faltou:
Keynes = esteta.

Como já foi lembrado em uma histórica conversa madura e analítica {que talvez não se tenha dito nada, mas marcou minha história desta forma antes descrita} , enfim, como já foi dito e só agora faz-se sentido realmente, o problema principal não é querer falar tudo o que está em sua mente, é consegui-lo. O sentimento foi forte, marcou o presente momento {o que continuo achando que seja este o objetivo natural dos sentimentos}, mas coisificar tal sentimento se torna demais para uma cabeça que busca mais respostas que suas perguntas são capazes de complementar.
O que falta aos passos de alguém o oposto de mim? Falta-lhe o que em meu caminho não se comportou nem a idéia de como se forma a sombra desta coisa. O que complementaria os passos opostos é mais do que me possa fazer conhecido, afinal: a realidade das pessoas neste mundo se difere diasporicamente; os sonhos dos seres pensantes só se assemelham por possuírem a parte comum de serem sonhos; o complemento das almas é matéria inóspita aos conselhos alheios; e já é fato que o terreno da vida é fecundo a qualquer espécie de ideologia. Talvez seja possível explicar em parte a dor no peito que se sente ao se defrontar com a ação inesperada de um amigo: não há como compreendê-lo em sua essência.
O que resta é invejar sua posição de não acomodação. É inspirar-me na força de quem nasce um filósofo, um buscador do conhecimento pleno e nem tanto inalcançável. É aprender a enxergar além das próprias viseiras e perceber a inconsistência monoideística.
Recato-me à minha vexada insignificância e prepotente influência. Ou seria minha vexada influência e prepotente insignificância? Enfim, encerro agradecendo a generosa doação de material pensante que a companhia na conversa de ontem me ofertou. Muito mais do que poderia saber que carecia. Obrigada!