08 janeiro 2007

Resumindo Lembranças Recentes


Comecei com um tropeço que teve diversos motivos para acontecer, portanto não foi nenhuma queda brusca. Mas um tropeço é sempre um tropeço, independente de suas justificativas. Por alguns instantes achei que ele iria afetar toda a caminhada dali em diante, então busquei outro caminho.
Esforcei-me nesta outra caminhada, tão perturbadora, aflita, um verdadeiro desafio que a deixou em uma forma encantadora, e este foi o principal motivo da minha permanência. Resolvi, no momento seguinte, entregar-me de corpo e alma nesta jornada, transpor quaisquer barreiras com paciência, persistência e amor. Entreguei-me tanto que não olhava mais para os lados, para os atalhos que poderia pegar. Como se tivesse viseiras de burro ao redor dos olhos, seguia apenas minha diretriz inicial.
Absorta com a novidade de um desafio, não via o quanto me machucava, o quanto me arranhava, sangrava, ardia, o quanto caía. Desta vez não eram apenas tropeços, eram quedas findadas.
Até que... cheguei ao extremo. Tive que parar para ser medicada. Aproveitei o momento para pensar: o que me levou a sair do outro caminho? E agora, o que é um tropeço perto do estado lamentável que me encontro?
Desisti da caminhada. Melhor que seja no meio do caminho que arriscar-me a conhecer seu final. Não ia querer deparar com um abismo.

18 dezembro 2006

fez-se

há sempre de existir o fim
o mais definitivo dos atos
só ele é capaz de fazer renascer
de alimentar o que desfalecia
de dar vida à esperança

o recomeçar
vendo a realidade por seus próprios olhos
compreender-se

28 outubro 2006

27 das luzes

são vagas sensações misturadas a dúvidas e medos. não tenho uma idéia clara em minha cabeça sobre o que quero falar, já que o querer é tanto, mas a vontade que não se materializa. como se estivesse fora do meu estado sóbrio e tentasse concluir um raciocínio seqüencial e pormenorizado. é como estar na ponta da língua, ao ponto ótimo de se aproximar, vendo o silêncio do espaço de sua fala acontecer... e vacilar. são sensações fortes, mas desconexas, paradoxais, descabidas e, portanto, vagas.


...
vi um caminho que me estava sendo insistentemente mostrado.
vi fleches de um sonho distante.
vi um passado presente e marcando sua existência intensamente.
me vi visada, desejada, querida.
antes me vi esnobada, perdida.
me vi em sonho e me toquei.
um novo rumo? acho que a luz brilhou foi pro velho que não ultrapassado.

19 setembro 2006

SimultâNeo

Faz algum sentido ser o apenas,
O que fez algo ou alguém sem algo ou alguém fazendo junto?
A razão do estar, a lembrança do momento.
Se fosse apenas você... O quê?
Nem se iria lembrar, pois não faz sentido.
O sentir simultâneo,
O impulso, o trabalho, o desejo,
A força, a saudade, o sorriso,
A alegria simultânea é a que se faz intensa.
Se apenas você, duraria menos que uma breve recordação.
Não faz sentido ser apenas um quando se pode tocar simultaneamente uma vida sonhada junto.

14 setembro 2006

Virando uma página

Encaro uma vida torta
Um hoje diferente e pior que o ontem
Vejo e me choco com meus erros
Já não é mais criatividade que existe em mim
É ignorância abusada

O sonho se desfaz
O pesadelo vira realidade
A vida perdeu seu encanto
E eu me desenganei

Talvez eu desista
Mas dizem que isto é covardia
E o que eu vivo hoje?
Não seria covardia o seu atual adjetivo?

Sem minha inocência
Com meus vícios
Sem a técnica
Com a burrice

Uma a mais
E não acrescentando como outrora
Agora apenas mais uma preocupação
E não tão doce

Melhor pensar em algo antes que desista

Melhor fazer algo

Melhorar-me que já é tarde.

20 agosto 2006

Mutável

Um olhar que não se esquiva
Um quase sorriso.

Um silêncio persistente
Uma trilha sonora mental.

Um carinho nos ombros.

Um coração palpitante
Com a consciência tranqüila
E a sensação de obrigação feita.

Um rosto feliz no espelho.

18 agosto 2006

O prelúdio do Bêbado vis-à-vis a Equilibrista.

Nota que faltou:
Keynes = esteta.

Como já foi lembrado em uma histórica conversa madura e analítica {que talvez não se tenha dito nada, mas marcou minha história desta forma antes descrita} , enfim, como já foi dito e só agora faz-se sentido realmente, o problema principal não é querer falar tudo o que está em sua mente, é consegui-lo. O sentimento foi forte, marcou o presente momento {o que continuo achando que seja este o objetivo natural dos sentimentos}, mas coisificar tal sentimento se torna demais para uma cabeça que busca mais respostas que suas perguntas são capazes de complementar.
O que falta aos passos de alguém o oposto de mim? Falta-lhe o que em meu caminho não se comportou nem a idéia de como se forma a sombra desta coisa. O que complementaria os passos opostos é mais do que me possa fazer conhecido, afinal: a realidade das pessoas neste mundo se difere diasporicamente; os sonhos dos seres pensantes só se assemelham por possuírem a parte comum de serem sonhos; o complemento das almas é matéria inóspita aos conselhos alheios; e já é fato que o terreno da vida é fecundo a qualquer espécie de ideologia. Talvez seja possível explicar em parte a dor no peito que se sente ao se defrontar com a ação inesperada de um amigo: não há como compreendê-lo em sua essência.
O que resta é invejar sua posição de não acomodação. É inspirar-me na força de quem nasce um filósofo, um buscador do conhecimento pleno e nem tanto inalcançável. É aprender a enxergar além das próprias viseiras e perceber a inconsistência monoideística.
Recato-me à minha vexada insignificância e prepotente influência. Ou seria minha vexada influência e prepotente insignificância? Enfim, encerro agradecendo a generosa doação de material pensante que a companhia na conversa de ontem me ofertou. Muito mais do que poderia saber que carecia. Obrigada!

16 agosto 2006

Apenas concluindo.

É apenas uma imagem
Sem reflexo, sem outro ângulo.
É uma receita simples de como sofrer.
É um jogo que só pode ter um final.
Ou você o termina, e sai ganhando.
Ou terminam com você, e não há nada mais que a levante.
E a história se repete.
Novos ódios que viram paixões enlouquecedoras.
Casinhos abafados que poderiam ter neles todo o amor do mundo que você não veria.
Não veria porque está perto demais para reparar.

13 julho 2006

meus pensamentos, meu espírito e minha vida pela minha mãe... e que chegue logo a bonança. Amém.